19 de março de 2017

RESENHA | A Garota do Lago — Charlie Donlea

Título: A Garota do Lago
Título Original: Summit Lake
Autor: Charlie Donlea
Editora: Faro Editorial
Páginas: 296
Lançamento: 2017
Onde comprar: Buscapé

Sinopse:

ALGUNS LUGARES PARECEM BELOS DEMAIS PARA SEREM TOCADOS PELO HORROR...

Summit Lake, uma pequena cidade entre montanhas, é esse tipo de lugar, bucólico e com encantadoras casas dispostas à beira de um longo trecho de água intocada.

Duas semanas atrás, a estudante de direito Becca Eckersley foi brutalmente assassinada em uma dessas casas. Filha de um poderoso advogado, Becca estava no auge de sua vida. Atraída instintivamente pela notícia, a repórter Kelsey Castle vai até a cidade para investigar o caso.

E LOGO SE ESTABELECE UMA CONEXÃO ÍNTIMA QUANDO UM VIVO CAMINHA NAS MESMAS PEGADAS DOS MORTOS...

E enquanto descobre sobre as amizades de Becca, sua vida amorosa e os segredos que ela guardava, a repórter fica cada vez mais convencida de que a verdade sobre o que aconteceu com Becca pode ser a chave para superar as marcas sombrias de seu próprio passado... 

Opinião:

A narrativa tem início na noite de 17 de fevereiro de 2012, onde presenciamos os últimos minutos de vida de Becca Eckersley, uma estudante de direito de 21 anos, que teve seu futuro ceifado pelas mãos de um assassino. A cada frase lida, é possível sentir as unhas da jovem sendo cravadas em nossa pele cada vez mais fundo, numa tentativa desesperada e infrutífera de vencer a morte.
“Ferida e sangrando, Becca ficou ali, desfalecida, acordando cada vez que ele a maltratava em ondas coléricas, violentas. A impressão foi de que se passou uma eternidade antes de o homem decidir abandoná-la. Antes de ele escapar pela porta corrediça de vidro da sala, largando-a aberta e deixando que o ar frio da noite penetrasse pelo recinto e atingisse o seu corpo despido.” — Pág. 15 
Depois desse momento de adrenalina, o autor nos faz viajar no tempo, intercalando os capítulos entre o presente — onde a repórter investiga Kelsey Castle segue os passos da jovem e vai farejando as pistas para descobrir quem é o assassino e suas possíveis motivações, — e o passado, 14 meses antes, onde ele nos expõe aos poucos o cotidiano e a personalidade de Becca.

A Garota do Lago é o primeiro livro de Charlie Donlea, e posso dizer que foi uma excelente estreia. Como outros mestres do gênero, o autor consegue nos enganar a todo instante, ele deixa algumas pistas pelas páginas que passam despercebidas por mais claras que sejam, nossas teorias são criadas e destruídas facilmente.

Os personagens são bem construídos: eles conquistam, mesmo que seja o nosso desprezo e ódio. São personagens fortes, com personalidade e com defeitos, o que traz uma maior realidade à história. A pequena cidade de Summit Lake, na Carolina do Norte, é o cenário principal do livro. As descrições da paisagem e dos locais nos aconchegam de uma forma, que nos faz querer morar dentro das páginas do livro, mergulhar nas águas do lago, assistir ao espetáculo da Cachoeira do Sol da Manhã, comer as delícias do Café Millie... 
“[...] Por que fora atacada? Houve algo que ela fez para provocar aquilo? Por que o canalha a escolheu, e não outra pessoa? Por quanto tempo ele a teria esperado e observado? Ela conhecia o homem por trás da máscara, ou ele era apenas um estranho aleatório escolhendo uma mulher aleatória?” — Pág. 115 
A Garota do Lago é mais um thriller que tem tudo para figurar nas listas dos mais vendidos do gênero. É bem escrito, possui em enredo que te aprisiona, você acaba entrando na figura da repórter investigativa, se torna uma Kelsey Clastle, independente do seu gênero, vai colhendo as informações, arquitetando ideias e teorias, até que acaba descobrindo tudo, junto com ela ou mesmo antes — o que nesse caso não se mostra um problema, mas sim uma espécie de cumplicidade, querendo ajudar a personagem a descobrir o que você já sabe.

Há algumas falhas na história, como situações e personagens que não são muito explorados, pontos que poderiam ter sido mais elaborados e discutidos, entre outros, mas que não alteram em nada o resultado final dessa história, seriam situações que aumentariam ainda mais a nossa satisfação na leitura.

A comparação “Como se Garota Exemplar encontrasse O Silêncio dos Inocentes!” foi em parte pretensiosa, já li ambos os livros citados e eles são excelentes, há sim um viés semelhante, principalmente por pertencer ao mesmo gênero narrativo, mas a obra não é tão imponente quanto elas, talvez eu substituiria Garota Exemplar por Objetos Cortantes (que possui também uma protagonista repórter investigativa), ambos da autora Gillian Flynn, e O Silêncio dos Inocentes de Thomas Harris por algum livro do Sidney Sheldon, onde a presença feminina é marcante.

Agora sobre a edição: a Faro Editorial está mandando muito bem, seus livros possuem uma qualidade editorial exemplar, desde os materiais utilizados, até a revisão e a diagramação. Além é claro de serem lindos, da capa ao miolo!

O livro não entra para o hall dos favoritos, mas certamente leva 
BookTrailer:

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